Estudos indicam que o trecho pode se tornar nova rota de exportação do café do Sul de Minas, responsável por mais de um terço da produção nacional

O Corredor Minas-Rio será o primeiro projeto ferroviário a ser ofertado à iniciativa privada em 2026, abrindo o calendário de concessões do governo federal no setor. A ferrovia, considerada estratégica pela pasta dos Transportes, está prevista para ter o edital publicado em janeiro e ser leiloada em abril de 2026 — marco inicial da execução da nova Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, baseada na Lei nº 14.273/2021.

O trecho, que integra partes da antiga Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), totaliza cerca de 740 km e conecta municípios de Minas Gerais (Arcos, Lavras, Varginha) ao litoral do Rio de Janeiro (Barra Mansa e Angra dos Reis). Atualmente, grande parte dessa malha está subutilizada ou praticamente inoperante, com demanda por investimentos para retomar operações e ampliar sua capacidade.

O Ministério dos Transportes definiu que o Corredor Minas-Rio será ofertado pelo modelo de chamamento público, uma modalidade em que a administração pública disponibiliza a malha ao mercado, condicionando a operação a investimentos privados — sem exigir pagamento de outorga à União. A exploração ferroviária está prevista por contrato de até 99 anos.

O projeto do Corredor Minas-Rio está diretamente ligado à reorganização da malha atualmente explorada pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Concedida em 1996 com prazo contratual de 30 anos, a concessão expiraria em 2026, conforme contrato original. Entretanto, em 2015, a concessionária — controlada pela VLI — protocolou junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) uma manifestação de interesse em prorrogar a concessão de forma antecipada.

A primeira audiência pública sobre a renovação do contrato da FCA ocorreu em 2021, mas não foi concluída na forma original, exigindo ajustes nos estudos e documentos jurídicos à luz das novas diretrizes de política pública para ferrovias.

NOVA ROTA DO CAFÉ E DIVERSIFICAÇÃO DE CARGAS

Estudos técnicos já realizados e dados do setor logístico apontam que o Corredor Minas-Rio tem potencial para se tornar uma nova rota de exportação para os principais produtos de Minas Gerais, em especial o café produzido no Sul do estado — região responsável por mais de um terço da produção nacional da commodity. Os dados foram publicados pela Folha de S. Paulo.

A ferrovia permitiria ligar diretamente a produção ao litoral fluminense, pelo porto de Angra dos Reis, como alternativa logística ao escoamento feito por rodovias e por portos mais congestionados, como o de Santos (SP).

Além do café, o trecho pode viabilizar a importação de fertilizantes e o transporte de cargas gerais, diversificando o uso da ferrovia e atraindo operadores com diferentes perfis de carga.

INTEGRAÇÃO COM A AGENDA DE CONCESSÕES DO GOVERNO

O Corredor Minas-Rio será o primeiro dos oito projetos ferroviários previstos no calendário de concessões do Ministério dos Transportes para 2026, que incluem também trechos como o Anel Ferroviário Sudeste, a Malha Oeste, o Corredor Leste-Oeste e a Ferrogrão, até o final do ano. A expectativa da pasta é que esses projetos movimentem cerca de R$ 140 bilhões em investimentos no setor ferroviário até 2026.

De forma mais ampla, o governo anunciou que deve realizar 21 leilões no setor de infraestrutura em 2026, sendo 13 rodoviários e 8 ferroviários, com uma previsão conjunta de investimentos de R$ 288 bilhões em obras e concessões no país.

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